O dia 13 de julho é reconhecido no Brasil como o Dia Mundial do Rock, data que celebra anualmente esse estilo musical e que foi escolhida em homenagem ao Live Aid, megaevento que aconteceu nesse dia em 1985 e que ficou conhecido por reunir grandes artistas do gênero, como Queen, Mick Jagger, Keith Richards, Ronnie Wood, Elton John, Paul McCartney, David Bowie, U2, Kiss, entre outros. Para falar sobre o assunto, o músico Péricles Zuanon, dono de uma consagrada trajetória em bandas de Araraquara, participou da edição desta quinta-feira (13) do "Canal Direto com a Prefeitura", programa produzido pela Secretaria Municipal de Comunicação.
Péricles relembrou como foi o primeiro contato com a música em sua vida. "Eu sou o filho mais novo de uma família de seis irmãos. Somos cinco irmãos e uma irmã. Quando eu nasci, já tinha muito disco em casa, LPs de vinil e fita cassete, porque meus irmãos sempre foram muito fãs de música. Eu já nasci ouvindo coisas muito variadas, desde Queen até Sex Pistols, passando por Caetano e Itamar Assumpção. Por causa desse contato através dos meus irmãos, desde muito cedo eu tive essa curiosidade pela música", comentou.
O músico citou como exemplo o primeiro show que viu, quando tinha apenas quatro anos de idade. "Meus irmãos me levaram no Teatro de Arena para um show do Itamar Assumpção e Banda Isca de Polícia. Então carrego essa medalha de honra ao mérito, que foi o primeiro show que eu vi. E quando eu me tornei adolescente, comecei a ouvir coisas mais pesadas com os amigos. Comecei a ouvir Black Sabbath, comecei a ouvir Sepultura, Ratos de Porão, as bandas brasileiras pesadas. Aí eu falei: não vai ter jeito, vou ter que montar uma banda", relembrou.
Ele relata que desde os anos 1980 havia uma cena alternativa rica em Araraquara. "Quando eu comecei a sair sozinho como adolescente, o Funeral estava tocando, algumas outras bandas de hardcore e essa coisa do punk rock me fez perceber que também poderia fazer aquilo, que é uma coisa acessível, que é simples, que dá para fazer com os recursos que eu tinha. Aí fui mordido pelo bichinho e nunca mais parei", acrescentou.
Péricles citou as bandas que ele integrou ao longo de sua carreira. "Eu já toquei em uma banda de reggae que se chama Isla Cogumelo e toquei em uma outra banda pesada de Araraquara que até hoje está na ativa, que é o Correra. Eu tive uma outra banda autoral também, chamada Dimas Bandido. Aí eu fui cada vez mais estudando, também fui saindo desse circuito só do rock, fui estudar música brasileira, fui estudar jazz com um mestre daqui de Araraquara, que é o Marquinhos, um superbatera. Fui estudar com ele, aprender teoria, aprender música brasileira, jazz, e com isso fui me profissionalizando. Hoje eu também toco no Homem de Lata, sou percussionista lá e toco surdo de terceira, de samba, ou seja, fui aprender outras linguagens. Entre 2015 e 2020, toquei com Liniker e os Caramelows, rodamos o mundo e só não fizemos África e Ásia. Rodamos Europa, Oceania e a América toda", recordou.
Ele revela que o momento atual de sua carreira começa a fechar um círculo de 360 graus, já que voltou para o cenário do metal junto com a banda Unrealism, uma das atrações do Araraquara Rock 2023. "Inclusive domingo, às 16h30, vamos tocar no Araraquara Rock. Seremos a primeira banda do domingo, por isso convido o público para chegar lá cedinho para ver a banda Unrealism. É uma banda de metal autoral também que tem um Q de gótico, de dark. É pesado, mas ao mesmo tempo é cheio de melodia, de sentimento. É muito legal", descreveu.
Péricles falou sobre sua expectativa em participar do festival. "Tem um amigo meu, guitarrista, que fala que se não ficar um pouquinho nervoso está errado. Tem que ter um pouquinho de nervoso para colocar a gente nessa energia de estar afim. Se não for para se emocionar fazendo, não tem sentido. E é muito legal para mim. Eu acabei de entrar nessa banda, faz três meses, e a própria banda é um projeto novo que começou como um projeto online durante a pandemia com o guitarrista e a cantora, que é a Alessandra Lodoli, de Ribeirão Preto. Praticamente começar estando em um festival tão legal quanto o Araraquara Rock, que é um festival que já tem uma uma super história acumulada, uma história que que tem a ver com incrementar a cena do rock local, que é uma política pública direcionada pra isso, para nós é muito importante fazer parte disso. Vai ser muito legal. Só estamos preocupados que as pessoas não estejam lá tão cedo, então eu já aproveito para convidar todo mundo", observou.
O músico assegura que ainda tem um longo caminho a trilhar nessa arte. "Eu acho que a música é ilimitada em termos de aprendizado. Só no Brasil, o tanto de linguagem musical que é genuinamente nossa, que é essa mistura da coisa negra com a coisa índia, com a coisa europeia, só isso já é um universo gigantesco. Então imagine cada parte do mundo, cada país do mundo, a quantidade de linguagens musicais e rítmicas que tem para aprender. Então nunca está terminado. E eu acho também, de uma forma mais ampla, que precisamos nos manter aprendendo. Na verdade, eu sou sociólogo também e voltei a estudar cinco anos atrás para cursar psicanálise. Hoje sou psicanalista também. Para estar vivo tem que estar aprendendo, senão não tem sentido", completou Péricles.
Ao vivo
O “Canal Direto com a Prefeitura” vai ao ar de segunda a quinta-feira, às 12h30, na página da Prefeitura no Facebook. A íntegra dos programas continua disponível para visualização no próprio Facebook e em outras plataformas digitais, incluindo o formato de podcasts.
FONTE/CRÉDITOS: Secom - Prefeitura de Araraquara