Programa produzido pela Secretaria Municipal de Comunicação, o "Canal Direto com a Prefeitura", dentro da série especial Dia dos Pais, em homenagem à data que será celebrada no próximo domingo (13), apresentou em sua edição desta quarta-feira (9) a história de Diego Matheus Navarro, ajudante de surfaçagem, que relatou sua rotina de envolvimento e superação na criação de seu filho Gabriel, criança de três anos e meio de idade, que tem o Transtorno de Espectro Autista (TEA).
Diego conta como recebeu a notícia do diagnóstico do filho ao lado da esposa Jaqueline. "Para mim foi um pouco complicado. Tanto eu quanto a mãe já víamos alguns sinais que ele demonstrava, por exemplo, se falávamos alguma coisa que ele não gostava, tinha agressão, ele queria bater a cabeça, chutar as coisas, se morder, além de não olhar nos olhos. Decidimos levá-lo para fazer exames. No começo, eu não estava levando muito a sério porque pensei que quando eu era pequeno também fazia coisas assim. E além disso, você nunca quer que seu filho tenha alguma coisa. Saiu o diagnóstico, que também não era fechado porque isso é só a partir dos cinco anos, mas vimos que teríamos que ir atrás de terapia e outras coisas do tipo", lembra.
O pai revela que o preconceito é uma de suas preocupações. "Para mim foi mais difícil porque não dá para imaginar como as pessoas vão tratar ele fora de casa. Em casa nós cuidamos com todo carinho e amor, mas não sabemos como será na escola ou mais para frente em um ambiente de trabalho. Então o diagnóstico não foi chocante, mas gerou sim uma preocupação", destaca.
Ele salienta que a situação exigiu uma mudança em alguns aspectos de sua personalidade. "Precisei aprender a ter mais paciência e a ser mais cuidadoso com algumas coisas. É preciso dar um exemplo bom para ele e a cada dia aprendemos coisas novas. Tem coisas que até penso que não vou conseguir ser de tal jeito, mas acabo levando de letra. Estou aprendendo", reconhece.
Diego fala também sobre como concilia o trabalho e a paternidade. "Até um ano e meio de idade do Gabriel, a mãe dele trabalhava e eu ficava mais tempo com ele, ia junto nas terapias e tudo mais. Começou a apertar um pouco por causa dos preços dos remédios que ele começou a tomar, que ficam em torno de 700 e 800 reais. Só um salário não estava dando para manter a casa, manter esses custos. Hoje eu não consigo estar tão próximo dentro de casa, isso acontece mais de domingo e segunda porque de terça a sábado eu trabalho em dois períodos, entro às 8h e saio meia-noite, uma hora da madrugada, e final de semana vai até um pouco mais tarde porque trabalho em um bar à noite. Mas sempre que posso estar junto, eu estou junto", frisa.
Quando pai e filho estão reunidos, a criança aproveita o tempo com muita diversão. "Ele não me deixa fazer nada que não seja brincar. Quando eu estou perto, é correr, se esconder, ele não quer saber de mais nada. Não me deixa nem ir na cozinha fazer uma comida", relata sorrindo.
Diego aponta ainda qual seu sonho relacionado ao seu filho e às outras crianças com TEA. "Eu gostaria que tivesse mais profissionais capacitados para essas crianças, tanto na escola quanto na área da saúde, porque vemos um ou dois profissionais se esforçando, mas são eles para cuidar de uma quantidade muito grande de crianças da cidade, com muita criança na fila. Queria que tivesse mais disso para poder orientá-os. Um dia eu vou envelhecer, não vou ter condição de ajudar o meu filho e queria que ele tivesse condição de se virar sozinho e não depender de mim, da mãe ou de terceiros", explica.
Outra sugestão do pai é para que os familiares de crianças com o Transtorno de Espectro Autista sejam mais presentes nas vidas dos pequenos. "A rede de apoio teria que ser melhor. No meu caso, não tenho tanto, mas vejo que os familiares têm um pouco de medo de se aproximar porque dizem que não sabem lidar com a criança, têm medo de falar isso ou de fazer aquilo e ele ficar bravo, mas se não tentar, nunca vão conseguir se aproximar e vai chegar uma hora em que ela vai perguntar quem são esses parentes. É uma avó, um avô que não criou um laço. Então é preciso que as pessoas não tenham medo de se aproximar. Elas só precisam saber que a criança tem um certo limite para algumas brincadeiras, para algumas coisas, que é difícil lidar, mas não é impossível. Seria muito importante essa conscientização", opina.
Segundo ele, a empatia é outro fator que precisa ser trabalhado na sociedade quando se fala de crianças com TEA. "Já aconteceu de ele sair de uma terapia, ter uma crise em um Uber e o motorista parar e falar para descer do carro. Comigo junto, isso nunca aconteceu, mas com a mãe já aconteceu umas quatro vezes. Então as pessoas precisam ter mais empatia. Não é uma coisa que é culpa dele, nem nossa. As pessoas deveriam pensar mais no próximo. Tem muito julgamento e preconceito", completou Diego.
Ao vivo
O “Canal Direto com a Prefeitura” vai ao ar de segunda a quinta-feira, às 12h30, na página da Prefeitura no Facebook. A íntegra dos programas continua disponível para visualização no próprio Facebook e em outras plataformas digitais, incluindo o formato de podcasts.

FONTE/CRÉDITOS: Secom - Prefeitura de Araraquara