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Terça-feira, 23 de Junho 2026
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Colunas/CRÔNICAS - ALEXANDRE J.PIERINI

A crônica de um Maracanã romantizado: o calor, o futebol e o chopinho gelado!

Professor Alexandre José Pierini - Uniara!

A crônica de um Maracanã romantizado: o calor, o futebol e o chopinho gelado!
Divulgação
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Quando pequeno se acostumou a ver o estádio do Maracanã de forma romântica. Assistia aos filmes nos Cines Capri ou Veneza em Araraquara, nas telas as imagens projetadas em câmera lenta do Canal do 100 protagonizavam um estádio recheado de “Geraldinos”, com esperanças sempre renovadas e terços em mãos, esperando um gol salvador e a explosão da alegria.
 
Depois, um pouco mais jovem, aprendeu nas crônicas de Nelson Rodrigues que o futebol carioca representava a síntese da malandragem brasileira, com a sua ginga e capacidade de improvisação. Esse era o Maracanã, palco de artistas, de quando ainda o futebol era técnica e pagava-se ingresso para assistir um verdadeiro show de bola.
 
Se emocionou quando percebeu que poderia ir ao Maracanã naquela tarde abrasiva de domingo, de fevereiro de 1991, Fluminense x Botafogo se enfrentariam pelo Campeonato Brasileiro, rapidamente passou em sua mente as telas dos cinemas e as crônicas do “Anjo pornográfico”, aquilo o emocionou e o deixou com um leve frio na espinha, que só os emotivos de corpo e alma sentem quando as memórias da infância lhe batem à porta.
 
Pegou o ônibus em Olaria, em direção à Quinta da Boa Vista, lugar mais próximo ao Maracanã – o restante do trajeto faria a pé mesmo, ele queria acompanhar a atmosfera da partida, sentir os botafoguenses e os tricolores chegando ao estádio com euforia. As cores das camisas proporcionavam alegria ao ambiente, embora a tensão sempre tenha sido constante devido ao alto índice de violência com as torcidas rivais e seus encontros fortuitos.
 
A pressão começou na fila dos ingressos, botafoguenses e fluminenses se provocavam sem constrangimento, mastros de bandeiras, repliques, tamborins, bumbo e outros instrumentos agitavam a galera em meio aos insultos e palavrões de todas as ordens, que dominavam o ambiente. Ficou com medo, era melhor pegar logo o ingresso, subir a rampa de acesso e ver o Maracanã em cores.
 
Quando subiu a rampa de acesso e avistou as torcidas, chorou copiosamente ao ver as bandeiras coloridas no estádio, de um lado, os tricolores, do outro, os botafoguenses. O seu sonho de conhecer o Maracanã havia se realizado, aquilo o deixou em êxtase e eufórico.
 
Seria melancólico assistir ao primeiro jogo no Maracanã e não ver gols, afinal, o que vale no futebol é bola na rede e, em pouco tempo, o Fluminense abriu o placar e a massa tricolor se levantou em alegria e explosão. O seu sonho já estava completo. Ele voltaria para casa feliz da vida, mas quando o jogo caminhava para o final, o Botafogo em um lance de falta empatou a partida, a metade botafoguense fez a festa, pronto, resultado mais que justo pelo futebol praticado pelas equipes, felicidade plena e nada melhor que ter tomado um chopinho gelado no final do jogo no boteco em frente ao Maracanã.
 
 
 
 
FONTE/CRÉDITOS: Professor Alexandre José Pierini - Uniara!

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