Tradição de ajudar quem mais precisaA Encenação da Paixão de Jesus Cristo teve início em 1982, quando era realizada na própria praça da Igreja Nossa Senhora Aparecida, na Vila Xavier. No início, a apresentação era realizada sobre caminhões, em uma estrutura que foi melhorando ao longo do tempo, porém desde a primeira edição o objetivo era o mesmo: arrecadar alimentos para as pessoas que mais precisam.Com o propósito de ajudar os Vicentinos, hospitais e instituições de caridade, o evento foi se tornando tradicional, sempre realizado na Sexta-feira Santa. O número de voluntários e de espectadores também foi ampliado ao longo do tempo e a apresentação passou por vários lugares como o antigo Estádio Municipal, Fonte Luminosa (antes e depois da modernização), Estádio do Botânico e até outros municípios como Dourado e Motuca, até retornar à praça da igreja onde tudo começou. Dessa vez, o espetáculo chega pela primeira vez ao Gigantão.Nem sempre a organização contou com recursos financeiros suficientes, mas com muito empenho dos voluntários, o evento nunca deixou de acontecer. Em muitas vezes, o apoio da Prefeitura fez a diferença para que a apresentação seguisse cumprindo sua missão.Mas um momento de grande dificuldade para a Encenação da Paixão de Jesus Cristo foi a pandemia da Covid-19. Além de ocasionar uma expressiva perda de público, também fez cair drasticamente o número de voluntários, que antes era de aproximadamente 450 pessoas e hoje são cerca de 250. Mesmo assim, o evento não parou na pandemia. Nos momentos mais críticos da crise, em uma articulação com a Secretaria Municipal de Saúde, foram realizadas apresentações adaptadas àquela realidade, com máscaras, distanciamento e todos os cuidados necessários para evitar a contaminação, além da arrecadação feita no sistema de drive-thru, com as pessoas passando de carro e deixando suas doações.Segundo o fotógrafo e organizador de eventos Julio Cesar Sedenho, que está à frente da organização da Encenação da Paixão de Jesus Cristo, a população tem voltado a marcar presença no evento, mas ainda longe do ideal. "Nesses últimos dois anos depois da pandemia, tivemos um público entre 1.500 e 2.000 pessoas. Foi crescendo um pouquinho, mas ainda precisamos da ajuda da população de Araraquara para que cheguem esses alimentos, que não é para a encenação, mas para a comunidade, para os hospitais e famílias que precisam. Nós montamos cestas básicas para poder atender a todos que buscam a nossa ajuda", explicou.Ele explicou que é importante as instituições de caridade procurarem a organização da Encenação, mas é ainda mais importante que a população se mobilize em fazer as doações. "Pedimos que as entidades e os hospitais mandem ofício para nós, para os Vicentinos, para a paróquia Nossa Senhora Aparecida, para que possamos ajudar essas pessoas, mas para isso pedimos que a população nos ajude, não só na Sexta-feira Santa, mas em todos os dias possíveis, todas as semanas, para darmos sequência à arrecadação durante todo o ano e para que o alimento não acabe", acrescentou.Julio falou sobre a relevância que esse evento adquiriu ao longo do tempo. "A encenação é muito importante para a comunidade, muito importante para Araraquara. Não temos dinheiro, só queremos ajudar o próximo e lutar contra a fome. É difícil ver as pessoas pedindo e não poder dar comida na rua, é difícil para nós porque não conseguimos ajudar todo mundo. É difícil, mas é importante a população ajudar mais, com mais alimentos. Por isso, toda ajuda é bem-vinda", concluiu.
FONTE/CRÉDITOS: Secom - Prefeitura de Araraquara