Programa produzido pela Secretaria Municipal de Comunicação, o "Canal Direto com a Prefeitura" abordou, em sua edição desta quinta-feira (6) os números do Censo Demográfico realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para falar sobre o assunto, o programa contou com a participação de André Pastrelo Cavallieri, coordenador de área do IBGE.André iniciou sua participação com uma explicação sobre o trabalho desenvolvido pelo instituto. "O IBGE é mais reconhecido pelo Censo Demográfico porque no Censo nós visitamos todos os domicílios desse país, todos os cidadãos, e é aí que o IBGE dá a cara para a população. Mas além do Censo, nós fazemos uma infinidade de outros trabalhos relacionados a indicadores sociais, demográficos e econômicos. Um exemplo muito conhecido da população é o índice de inflação. Todo mês sai o índice de inflação, que é produto do IBGE. Tem o índice de desemprego, que também é divulgado todo mês pelo IBGE. Então tem uma série de pesquisas de indicadores que o IBGE produz", destacou.Dificuldades na coleta de dados André falou sobre as dificuldades enfrentadas durante a coleta de dados. "O Censo no país todo, e em Araraquara não foi diferente, demorou muito mais que o previsto. No início, a previsão era de três meses de coleta, ou seja, começaria em agosto e terminaria em outubro, porém demoramos dez meses para concluir. Foi o triplo do tempo esperado. Um dos principais fatores que levou a esse atraso na finalização do Censo foi a baixa receptividade da população, não só em Araraquara, mas no país todo. Nós percebemos, não só no Censo, mas nas pesquisas de rotina que fazemos, que a população está mais arredia, mais reclusa, não está querendo aquele contato face a face. Então isso dificultou um pouquinho e tivemos uma certa dificuldade na receptividade ao nosso recenseador", apontou.Segundo ele, esse comportamento foi causado por uma série de fatores. "Acho que a pandemia foi um ponto de inflexão nas nossas vidas. Tem a questão da criminalidade, dos golpes que têm ocorrido, então a população está muito cuidadosa com isso. Acho que esses seriam os principais fatores que eu colocaria que dificultaram um pouco o nosso trabalho", opinou.Crescimento acima do esperadoSegundo os números do Censo, divulgados em 28 de junho, Araraquara registrou o maior crescimento populacional proporcional da região nos últimos 12 anos. Entre o Censo de 2010 e de 2022, a população da cidade saltou de 208.662 para 242.228 habitantes, um aumento de 16,09%, número maior que o dobro da média nacional, que foi de 6,5%.André Pastrelo Cavallieri comentou os números. "Araraquara cresceu muito mais que o Brasil. O principal fator que identificamos até o momento é que parece que houve uma migração muito grande para Araraquara, principalmente dos municípios do entorno. Muita gente está mudando pra Araraquara", justificou.Aumento de imóveis maior que o de pessoasAndré apontou que o número do crescimento populacional da cidade não foi o que mais chamou a atenção na pesquisa. "O que mais me saltou aos olhos foi o aumento no número de domicílios. Araraquara teve um aumento de 44% de domicílios de 2010 a 2022. São 35 mil domicílios a mais, enquanto a população aumentou 33,5 mil habitantes. Então a cidade cresceu mais em casas e apartamentos do que em pessoas", observou.A explicação, segundo ele, é que existem menos pessoas morando por residência nos dias de hoje. "Foi uma redução muito grande no Brasil todo e em Araraquara não foi diferente. Eu acho que isso é muito fruto das políticas que tivemos de incentivo à moradia e acesso à casa própria ao longo da última década, que estão surtindo efeito agora, com muito mais casas e prédios construídos. Quantos prédios temos visto aqui em Araraquara? Realmente é um número que chega até ser assustador, de uma certa forma", acrescentou.Comparações com os números nacionaisO tamanho da população brasileira divulgado no Censo Demográfico surpreendeu por ser abaixo do que demógrafos projetavam. Ainda assim, é suficiente para que o Brasil mantenha o posto de sétimo país mais populoso do mundo, com mais de 30 milhões de habitantes acima do oitavo colocado.Em Araraquara, diferentemente, o resultado foi superior ao que foi projetado. "A estimativa de 2021 era de que o Brasil tivesse 213 milhões de habitantes. O dado do Censo revelou 203 milhões, então ficou um pouco distante da estimativa. Em Araraquara, a estimativa era de 240 mil habitantes e chegamos a 242 mil, então chegamos em um número muito próximo à estimativa. Isso não causou nenhuma surpresa, mas claro que esse dado nível Brasil mostra que a nossa população está crescendo menos. Estão nascendo menos crianças e estamos envelhecendo. Araraquara não é uma ilha e, como eu disse, a diferença de Araraquara é que ela é um polo de atração. Tem muita gente migrando para cá. O crescimento não se deve exclusivamente ao número de nascimentos, que também diminuiu aqui, mas se deve, em grande parte, a essa migração", avaliou.Impacto diretoAndré Pastrelo Cavallieri também comentou sobre como os números do Censo impactam diretamente nas vidas das pessoas. "Todo planejamento que vamos ter de agora até o próximo Censo estarão baseados em cima desses dados. Vemos que Araraquara aumentou muito a população, com um aumento predominante de pessoas mais idosas, então precisamos investir mais em ações para pessoas idosas, acesso ao sistema de saúde. Ao mesmo tempo, o número de nascimentos está diminuindo, pensando a nível Brasil, então talvez precisemos de menos escolas, não construir tantas escolas, mas mais hospitais. O perfil da população muda e temos que mudar todo o planejamento em cima disso. O impacto será sentido ao longo dos próximos dez anos", concluiu.Ao vivoO “Canal Direto com a Prefeitura” vai ao ar de segunda a quinta-feira, às 12h30, na página da Prefeitura no Facebook. A íntegra dos programas continua disponível para visualização no próprio Facebook e em outras plataformas digitais, incluindo o formato de podcasts.

FONTE/CRÉDITOS: Secom - Prefeitura de Araraquara