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Quinta-feira, 04 de Junho 2026

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Anésio Argenton, um dos maiores nomes da história do Esporte e do Ciclismo do Brasil!

O Adversário que ajudou a fazer um campeão. Mas todo grande campeão também é moldado por grandes adversários, e é aí que entra o nome de Adolpho Fecchio.

 Anésio Argenton, um dos maiores nomes da história do Esporte e do Ciclismo do Brasil!
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Quando se fala em ciclismo araraquarense, é impossível não lembrar de Anésio Argenton, um dos maiores nomes da história do esporte no Brasil. Mas todo grande campeão também é moldado por grandes adversários, e é aí que entra o nome de Adolpho Fecchio.

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Nascido em Araraquara, Fecchio descobriu o ciclismo ainda jovem e começou a competir aos 18 anos, em 1938. Não demorou para mostrar seu talento: já em 1939 conquistou a Volta de Ribeirão Preto, uma das provas mais importantes do interior paulista na época, enfrentando grandes nomes do ciclismo regional.
Representando a Associação Ferroviária de Esportes, período em que clubes de futebol também mantinham equipes de ciclismo, Fecchio construiu uma trajetória sólida e respeitada. Em 1952, foi campeão da prova de resistência dos Jogos Abertos do Interior, disputados em Rio Claro. Na mesma edição, Argenton venceu o Km contra o relógio. Mesmo defendendo equipes de destaque nacional, como a Caloi, Argenton jamais deixou de representar Araraquara nos Jogos, uma demonstração de orgulho pela cidade que também marcava Fecchio.
Ao longo da carreira, Fecchio somou 18 vitórias em etapas válidas pelo Campeonato Paulista do Interior, em uma época em que havia divisão entre ciclistas da capital e do interior. Seu destaque não parou por aí: na tradicional Prova Ciclística 9 de Julho, conquistou a oitava colocação em 1939, sendo o melhor ciclista do interior naquela edição, feito que lhe rendeu o título simbólico de “vencedor do Interior”. Em 1947, repetiu o feito na primeira edição internacional da prova, com a sétima colocação. Esse resultado permaneceu como o melhor de um araraquarense por mais de cinco décadas.
Na Prova Ciclística 22 de Agosto, conhecida como “A grande corrida de bicicletas de Araraquara”, Fecchio brilhou intensamente. Venceu mais vezes que Argenton e, mesmo nos anos 50, quando equipes como Caloi e Pirelli dominavam o cenário com grandes nomes do ciclismo nacional, ele seguia competitivo e difícil de ser batido.
A prova, disputada nas principais ruas do centro da cidade, tinha um espetáculo à parte: as torcidas. Próximo à linha de chegada, na Rua São Bento, os fãs se dividiam em lados opostos da calçada, de um lado, os apoiadores de Fecchio, do outro, os de Argenton. Rivalidade intensa, mas sempre esportiva.
Fora das pistas, a relação entre os dois era de amizade e respeito. Fecchio chegou a ter a oportunidade de seguir os passos de Argenton em equipes maiores, mas optou por permanecer em Araraquara para não deixar seu trabalho na Estrada de Ferro.
Após a aposentadoria, afastou-se temporariamente do ciclismo, mas voltou nos anos 70 como técnico da equipe araraquarense. Nunca abandonou completamente a bicicleta: competiu em provas de veteranos até os anos 90 e ainda se dedicou à construção de aros e cadeirinhas infantis em madeira.
Adolpho Fecchio faleceu em 2001, aos 80 anos. Como homenagem, seu nome foi dado ao ginásio de esportes de uma escola municipal da cidade. Nos anos 90, duas edições de uma prova ciclística também levaram seu nome.
Mais do que um adversário, Fecchio foi peça fundamental na construção de uma era de ouro do ciclismo em Araraquara. É justo dizer que, sem ele, talvez Argenton não tivesse sido tão grande. E sem os dois, além de tantos outros nomes ligados à Ferroviária, o futuro do ciclismo local poderia ter sido diferente.
Foi dessa base que surgiram talentos que levaram o nome da cidade ainda mais longe, como Elivelton Pedro, Jaqueline Mendonça e Lauro Chaman.
Histórias como essa mostram que o esporte é feito não apenas de vitórias, mas de rivalidades que elevam o nível, constroem legados e inspiram gerações.
FONTE/CRÉDITOS: Arquivo Familiar e Gazeta Esportiva
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